![]() | Surpresa é quando um decide sozinho. Amor é quando os dois decidem juntos. E não há maior surpresa do que decidir junto... |
FIRME, MAS SENSÍVEL: DESEJOS FEMININOS...2013-06-17

Publicado na Revista IstoÉ Gente
Junho 2013 p. 76
Ano 13 nº 698
DESABAFO...2013-01-27
Há que se ter muito cuidado em uma hora de dor, para que não se cometam injustiças...
Uma sucessão de erros é o que se tem visto nesta tragédia que se abateu sobre Santa Maria no RGS...
Não quero mais ver nada...
Porém fica dentro de mim uma pergunta que não cala:
NAS MÃOS DE QUEM ESTAMOS ENTREGANDO A SEGURANÇA DOS NOSSOS FILHOS E NETOS, SOBRINHOS E AMIGOS, NO MOMENTO EM QUE ESTÃO SE DIVERTINDO?
Responsabilidades a parte, qual mãe e pai vai ter paz daqui em diante neste País, qdo um filho sair porta afora pra ir a uma danceteria ou show...
Dói assistir uma jovem dizer que perdeu 25 amigos em um evento que era pra ser feliz...
Já vivi o suficiente pra poder me colocar no lugar destas pessoas e dizer que não dá nem pra chegar perto do que elas sentiram ao tentar sair do lugar e das famílias de cada uma que não conseguiu voltar...
Estou chocada demais...
Como que sufocada pela fumaça...
Dirão alguns que foi uma fatalidade...
Com certeza foi...
Mas altamente previsível e anunciada como são todas as que vemos pela tela da TV...
Perdoem pelo desabafo, mas é hora de cada um de nós, de qualquer lugar deste País, fazer algo, minimamente que seja, para exigir que as normas de segurança sejam cumpridas...
Porque elas já existem...
Ou ainda teremos muitas lágrimas pra derramar...
Bom fim de domingo pra vcs...
A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS...2013-01-27
A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS
Morri em Santa Maria hoje.
Quem não morreu?
Morri na Rua dos Andradas, 1925.
Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul.
Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia.
Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre.
O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de tanta morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrisou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço.
Não vão se lembrar de nada.
Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.
Fabrício Carpinejar


