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Surpresa é quando um decide sozinho. Amor é quando os dois decidem juntos. E não há maior surpresa do que decidir junto...
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9 days 2 hours ago   

FIRME, MAS SENSÍVEL: DESEJOS FEMININOS...2013-06-17


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É complicado adivinhar o que uma mulher deseja no homem.

Deseja que seja sensível, mas não demais.

Deseja que seja determinado, mas não grosseiro.

Deseja que se vista bem, mas que não dispute beleza. 

Deseja que seja interessado, mas não obcecado. 

Deseja que seja sensual, mas não bagaceiro.

Deseja que seja preocupado, mas não ciumento.

Deseja que seja compreensivo, mas não tolerante.

Deseja que seja apaixonado, mas não grudento.

Deseja que tenha amigos, mas não álibis.

Deseja que seja independente, mas não indiferente.

Deseja que seja afetuoso, mas não invasivo.

Deseja que seja dedicado, mas não bajulador.

Deseja que seja persistente, mas não chato. 

Deseja que seja irônico, mas não sarcástico.

Deseja que seja crítico, mas não lamurioso.

Deseja que seja surpreendente, mas não volúvel.

Deseja que seja misterioso, mas não volúvel.

Deseja que seja compreensivo, mas não condescendente.

Deseja que seja conselheiro, mas não moralista.

Deseja que seja educado, mas não afetado.

Deseja que seja familiar, mas não acomodado.

Deseja que seja simples, mas não superficial.

Deseja que seja ousado, mas não inconsequente.

Deseja que seja culto, mas não arrogante.

Acabo por concluir que toda mulher anseia por um homem de dupla personalidade.

E a personalidade tem que vir na hora certa, e do lado certo, senão é caso psiquiátrico.

Minha namorada gosta que lhe defenda da injustiça, mas que não me defenda dela.

A raiva deve ser externa, brigando com o mundo, não me apartando do seu universo. 

Ele pretende enxergar em mim a masculinidade da fala e a fragilidade do ouvido.

E não posso ser o mesmo para os outros e para ela. 
Tenho que mostrar uma diferença, uma mudança, um lado b, uma reserva imaginária, uma caligrafia secreta.

Mulher procura no fundo a exclusividade. 
Uma parte somente sua. 
Um homem que somente ela conheça.

Posso esbravejar e desaforar fora, desde que seja capaz de chorar com ela. 
Que lute por nossas fraquezas, mas que seja compreensivo com seus erros. 
Que não desista de me destacar, mas que sempre possa incluí-la. 
Que tenha o pulso para protegê-la e ser decidido, mas que não atropele ou imponha minha vontade. 
Que seja intuitivo no sexo, gentil depois dele.

O homem só não pode ser o exagero de si.

Fabrício Carpinejar

Publicado na Revista IstoÉ Gente

Junho 2013 p. 76
Ano 13 nº 698




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DESABAFO...2013-01-27

Há que se ter muito cuidado em uma hora de dor, para que não se cometam injustiças...
Uma sucessão de erros é o que se tem visto nesta tragédia que se abateu sobre Santa Maria no RGS...
Não quero mais ver nada...

Porém fica dentro de mim uma pergunta que não cala:
NAS MÃOS DE QUEM ESTAMOS ENTREGANDO A SEGURANÇA DOS NOSSOS FILHOS E NETOS, SOBRINHOS E AMIGOS, NO MOMENTO EM QUE ESTÃO SE DIVERTINDO?
Responsabilidades a parte, qual mãe e pai vai ter paz daqui em diante neste País, qdo um filho sair porta afora pra ir a uma danceteria ou show...
Dói assistir uma jovem dizer que perdeu 25 amigos em um evento que era pra ser feliz...
Já vivi o suficiente pra poder me colocar no lugar destas pessoas e dizer que não dá nem pra chegar perto do que elas sentiram ao tentar sair do lugar e das famílias de cada uma que não conseguiu voltar...
Estou chocada demais...

Como que sufocada pela fumaça...
Dirão alguns que foi uma fatalidade...
Com certeza foi...

Mas altamente previsível e anunciada como são todas as que vemos pela tela da TV...
Perdoem pelo desabafo, mas é hora de cada um de nós, de qualquer lugar deste País, fazer algo, minimamente que seja, para exigir que as normas de segurança sejam cumpridas...

Porque elas já existem...
Ou ainda teremos muitas lágrimas pra derramar...

Bom fim de domingo pra vcs...

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A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS...2013-01-27

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS


Morri em Santa Maria hoje.

Quem não morreu?

Morri na Rua dos Andradas, 1925.

Numa ladeira encrespada de fumaça. 

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul.

Nunca uma nuvem foi tão nefasta. 

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia.

Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. 

A fumaça corrompeu o céu para sempre.

O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. 

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. 

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. 

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. 

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. 

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. 

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. 

Morri sufocado de tanta morte; como acordar de novo? 

O prédio não aterrisou da manhã, como um avião desgovernado na pista. 

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço.

Não vão se lembrar de nada.

Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. 

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. 

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

 

Fabrício Carpinejar


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